11 fev 2010 design, sustentabilidade  |   por Paulo Cholla

escrevi esse texto no meu blog pessoal há algumas semanas, e achei pertinente colocá-lo aqui também. a leitura é um pouco mais extensa do que normalmente escrevemos aqui, mas deve dar alguma discussão.

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Se deve haver problemas, que seja no meu tempo,
que minhas crianças tenham paz.

Thomas Paine


passados 18 meses após o término do meu tcc (e consequentemente do meu curso de design gráfico) é fácil fazer a seguinte afirmação: as pessoas ainda não dão a mínima para a sustentabilidade.

vivemos em uma sociedade que nos molda perfeitos individualistas, preocupados apenas com os nossos próprios umbigos e nada mais. não somos capazes nem mesmo de garantir que nossos filhos encontrem no mínimo um mundo nas mesmas condições que encontramos, que tenham as mesmas oportunidades que tivemos. para a maioria das pessoas um estilo de vida imediatista dá conta do recado: curtir o presente o máximo possível, sem se importar com o futuro, mesmo que este futuro chegue em apenas 20 anos.

durante o desenvolvimento do meu tcc acreditei que se a sustentabilidade se tornasse um tema recorrente, fosse usada em ações de marketing, campanhas, eventualmente a consciência das pessoas e das empresas iria abraçar a ideia. mas não é bem assim. conforme o designer e pesquisador Ezio Manzini disse, a sustentabilidade só tem (ou terá) importância quando for economicamente interessante. trocando em miúdos: enquanto for mais barato poluir, as pessoas e empresas vão poluir.

na área do design, os designers industriais tem feito bons projetos e que chamam bastante a atenção. no design gráfico as coisas parecem estar um pouco mais lentas, falta inclusive a consciência dos designers, e ela é essencial para que eles próprios possam transmitir este conhecimento para os clientes, que sem saber o que sustentabilidade realmente significa vão ficar no lugar comum de pedir apenas papel reciclado nos materiais. o problema está quando o cliente faz este pedido e o designer aceita achando que aquele projeto é sustentável, e todos viveram felizes para sempre. lógico, nem sempre o designer tem o poder total de decisão no projeto, pois terá que fazer a ideia ser aceita por seus superiores no estúdio no qual trabalha, ela terá um custo maior, e infelizmente, se as pessoas não tiverem a educação necessária sobre o tema (ou acharem que tem), não vão perceber que o que se gasta a mais no curto prazo é um gigante investimento que ela faz no futuro, principalmente se a empresa usar a sua real sustentabilidade como instrumento de marketing. é preciso oferecer soluções mais completas para os clientes, pois fazer uma campanha que seja inteira sustentável não torna uma empresa sustentável se ela continua imprimindo milhares de páginas inúteis por dia, luzes acesas sem necessidade, ar condicionado desregulado ou usado em excesso, e com volume gigante de lixo gerado. a imagem de uma empresa sustentável deve refletir sua real estrutura de sustentabilidade, para que a mensagem tenha mais força e traga significados verdadeiros, e não mentiras. ah, e os consumidores odeiam mentiras.

nestes casos, acredito que pode-se usar o mesmo pensamento sobre tendências: ok, o designer pode apenas seguir tendências no estúdio/agência em que trabalha, desde que ele tenha consciência de que está fazendo um trabalho que é tendência e em alguns meses ou anos estará obsoleto. então, um designer poderia fazer projetos com papel couché, verniz uv, laminação e impresso com tinta a base de petróleo, desde que ele saiba que não está sendo sustentável. ou será que não está ok? o que você acha? como é a linha que separa:

1- o pensamento sustentável do designer e o pensamento em apenas terminar seu trabalho do jeito que foi solicitado sem causar “problemas” ou transtornos com mais questionamentos e sugestões;

2- a posição dos chefes, que normalmente focam em agradar o cliente para não perdê-lo – “ele está errado, mas ele nos paga” – afinal, o estúdio/agência também é uma empresa;

3- o cliente, que é quem vai pagar pelo trabalho?

o que defendi no meu tcc, que uniu música e sustentabilidade, é que a sustentabilidade deve ser intrínseca ao processo criativo nas universidades. todos os designers devem terminar a graduação prontos para executar projetos sustentáveis. se “Design Sustentável” fosse uma matéria, ela deveria estar logo no começo do curso, e não ser apenas algo sazonal, mas contínuo, que seja discutida durante todo o curso. as aulas de Projeto devem ter sempre projetos sustentáveis como objetivo, os professores precisam exigir ao máximo dos alunos como fazer mais com menos, e como melhorar o que já existe. o design deve ser sustentável na sua essência. qualquer projeto de design deveria ser sustentável. este seria um ótimo passo inicial para se formar pessoas com mais consciência sobre o tema, pois sustentabilidade não se aprende lendo apenas um livro, uma ou duas revistas ou um post em um blog. é preciso entender o que isso significa e ter a vontade de fazer sempre que for possível.

é de extrema importância que uma coisa fique bem clara: eu defendo o desenvolvimento sustentável porque vivemos em um mundo com recursos naturais finitos, que se utilizados em excesso, em um ritmo maior do que sua renovação, trarão consequências catastróficas, inclusive para as empresas e indústrias, que não vão ter mais fontes de suas matérias-primas. o sistema capitalista entraria em colapso junto com os ecossistemas, provavelmente trazendo consequências irreversíveis, e a vida no planeta seria muito diferente do que estamos acostumados. não defendo o tema por achar que estarmos transformando o mundo em uma máquina apocalíptica, com enomes tsunamis que vão varrer cidades inteiras do mapa, furacões avassaladores e um calor de 40º no Alasca. mas também não é por isso que eu não acho que isso possa acontecer em função da nossa interferência. mais uma vez, o “mundo capitalista” mudar sua postura porque sua matéria-prima vai acabar não significa que ele criou uma consciência ambiental, vamos retomar o pensamento de Ezio Manzini: será puramente por uma questão econômica. na minha opinião, se a sustentabilidade acontecer apenas por questões econômicas pode ser bom (pelo menos no curto prazo), desde que ela seja real e absoluta, sem a superficialidade com a qual o tema é tratado.

o ponto é: nós não podemos destruir o mundo, ele é a nossa casa, o nosso lar. vivemos com outras milhões de espécies de seres vivos, e somos os únicos que atacam o planeta. nosso dever é preservá-lo, entregá-lo aos nossos filhos em condições muito melhores do que como o encontramos. para encerrar, gostaria de deixar este vídeo do falecido astrônomo Carl Sagan, um gigante divulgador da ciência, que nos dá a dimensão do quão insignificante somos, de como a vida é escassa (até onde sabemos), e que de todo o universo, este pálido ponto azul é o único lugar que conhecemos que pode abrigar vida. obrigado pela extensa leitura, quem não teve paciência ou vontade de ler até o final certamente não era o meu público alvo com este texto.

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20 jan 2010 coca cola, design industrial, embalagem, marcas, sustentabilidade  |   por thabata

Esse é um projeto que eu adorei!!! O designer Ryan Harc sugeriu um novo design para a lata de Coca-Cola, que desafia um pouco a marca e a tradicional cor vermelha, e apresenta uma versão muito mais ecologicamente correta:

O legal dessa latinha é que, simplesmente tendo a marca em relevo ao invés de impressa, a redução do custo ambiental de produção seria enorme. Primeiro a redução da emissão de carbono na produção da tinta, e depois para remoção da tinta quando a latinha for para reciclagem (por sianl, esse resíduo é tóxico).  Imaginando quantas latinhas de Coca-Cola são produzidas no mundo diariamente, dá para ter uma idéia de quanto positivo sustentável seria se esse design fosse aplicado.

Agora, essa idéia é linda mas acho que funcionaria muito bem com a Coca-Cola, que é tão absurdamente conhecida que se eles fizessem uma latinha só com aquela onda da marca, todo mundo já reconheceria. Para marcas menos famosas pode ser problemático. E lógico, tem sempre a questão de que, se todas as marcas de refrigerante e cerveja decidissem ser eco-friendly, a vida no supermercado seria difícil até que os designers pensassem numa nova maneira de apresentar o produto nas prateleiras.

Mesmo assim, seria lindo, não seria?

Via: greenopolis & Sundance Channel

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4 dez 2009 design, embalagem, produtos, sustentabilidade  |   por Vinícius Vaz

Caramba que projeto bacana esse… Dei uma olhada nele pelo designatento e julgo como um daqueles projetos tão fantásticos e excelentes que criarão trocentas burocracias pra não dar certo.

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O designer Oliver Craig criou o projeto Source é um projeto que distribui água potável de uma maneira muito inteligente e bonita para as pessoas. Imagina assim, você a sua garrafinha de água, mas ela esta vazia, tudo que você tem a fazer é pluga-la no tubo de abastecimento de água potável que sua sede acaba.

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É o tipo de projeto que ajuda demais a natureza evitando o lixo de mais uma garrafinha PET. Além de evitar mais processos químicos, uso do petróleo e trocentos anos para a degradação.

Então, é um projeto que as empresas que vendem água teriam força para breca-lo?

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30 nov 2009 coca cola, embalagem, produtos, sustentabilidade  |   por Vinícius Vaz

Bom, então,  como o último post foi sobre embalagens que deixam a desejar e bastante. Procurei um bom exemplo de um projeto responsável, bonito e bem estruturado. Tal projeto chama-se “Colorless”, afim de poupar energia e químicas com as tintas nas latinhas de refri e etc. o designer Harc Lee tirou todas as gravações de tinta e substituiu um design de superfície.

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Ok, a cor é um elemento importante.. Muito importante, afinal elas nos trazem milhares de informações. Esse é um projeto que ganha quem aplicar primeiro, porque se todas assumirem essa atitude ninguém identifica mais o produto desejado.

Ah! Vai lá no portfolio dele, tem outras coisas bacanas: http://www.behance.net/HarcLee

E aí? Gostou? Acha que daqui há uns 3 anos vamos ver latas assim no mercado?

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28 nov 2009 embalagem, sustentabilidade  |   por thabata

Designers e consumidores: uni-vos!

Apesar de toda a conversa, toda a preocupação com o meio ambiente, todas as campanhas pressionando o pobre do Barack Obama a assinar tratados e contas contra o aquecimento global, e o que fazemos?  Permitimos e muitas vezes consumimos isso:

Isso mesmo! Um monte de plástico e isopor para que? Para embalar UMA banana!!! E porque? Porque alguém compra. Isso acontece por uma porção de razões: a primeira é que muitas empresas ainda acham que contratar um designer é caro, ou inútil. Mas principalmente porque alguém consome. Como designers e consumidores, devemos desencorajar esse tipo de barbaridade, e devemos procurar consumir produtos que se preocupam com o ambiente, e que pagam um designer para isso.

Outros exemplos:

Embalagem de manteiga de amendoim individual

Rosas embaladas individualmente

Fones de ouvido

Fones de ouvido

Enfim, só para comentar. Mais uma importância (e acredito, um dever) do designer, que deve ser endossado pelo consumidor. A bronca fica só porque hoje é dia de ação de graças, e aqui nos EUA os índices de desperdício são absurdos!

Via: Treehugger e Design Muse

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12 nov 2009 embalagem, intervenções, sustentabilidade  |   por Vinícius Vaz

Quem disse que sacos de lixo tem que ser feios como seu conteúdo? Já tem um tempo eu postei aqui extintores de incêndio com design, para serem usados dentro de casa e que passam a se tornar um objeto de decoração do ambiente.

Com sacos de lixo como esse, as ruas também ficariam mais “bonitinhas”. Geralmente vemos aqueles sacos pretos ao lado de árvores solitárias ou dentro de caçambas mal cheirosas, mas com sacos assim você abriria um sorriso =D (o mal cheiro das caçambas continuariam).

Ah! Os sacos são 100% Biodegradaveis, então, além de bonitos, ajudam a natureza. A empresa que os faz é a SUCK UK e eles têm outros produtos bem bacanas.

happysacks.golgf
happysacks.pud

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19 out 2009 sustentabilidade  |   por Paulo Cholla

trofeu-gp-brasil-f1-braskem

o troféu do GP Brasil de F1 deste ano foi desenvolvido pela Braskem. com desenho de Oscar Niemeyer, o troféu foi feito com o lixo plástico gerado no próprio autódromo, nos 3 dias do evento.

infelizmente não consegui uma imagem legal do troféu deste ano, azul. esta imagem acima é do troféu do ano passado, que foi produzido a base de cana de açúcar.

fica aí a ideia legal de um troféu sustentável e bonito.

via G1 e M&M

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6 out 2009 embalagem, sustentabilidade  |   por Paulo Cholla

apesar de estas embalagens dos molhos da The Yorkshire Saucery serem muito bonitas, não foi este o motivo que me levou a postá-las aqui.

o design foi criado pela Shark!, que utilizou papel Karft e tipografia manuscrita para passar a sensação de frescor e de um produto amigável. mas o que me chamou a atenção foi o aviso na parte de trás do tag de papel, que diz a fonte do papel (extraído de madeira certificada) e diz como descartar cada parte: o plástico e o papel.

este tipo de preocupação é fundamental quando se fala em sustentabilidade. além de ainda estarmos numa fase na qual é necessário educar as pessoas, alguns produtos podem gerar dúvidas na hora do descarte da embalagem (ou até mesmo do próprio produto).

é muito bom ver estes detalhes que revelam uma real preocupação com a sustentabilidade ao invés do uso superficial que muitas marcas fazem do termo, apenas com propósitos de marketing.

yorkshire-saucery-1

yorkshire-saucery-2

yorkshire-saucery-3

yorkshire-saucery-4

via Lovely Package

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13 ago 2009 embalagem, samsung, sustentabilidade  |   por Paulo Cholla

o novo celular da Samsung, o Reclaim, chega ao mercado como um celular verde, sustentável e amigo do meio ambiente. e de fato, algumas preocupações são louváveis, visto que anualmente são vendidos milhões de aparelhos no mundo inteiro, e qualquer medida que visa a redução de materiais ou poluentes é bem vinda.

samsung-reclaim

o aparelho em si é 80% feito a partir de materiais recicláveis. a parte externa é feita de 40% de bio plástico (feito a partir de milho). ele também é livre de PVC. já a caixa é produzida 70% de materiais reciclados, e a impressão é feita com tinta a base de soja. e o manual, que você lê uma vez na vida (se lê) não é mais impresso, ele fica disponível no site da Samsung.

alguns pontos são difíceis de analisar sem ter a embalagem em mãos, como o tamanho dela. se o aparelho tiver o mesmo tamanho da imagem, ela é enorme e gera desperdício. se ele for do tamanho da caixa, muito bom. ao contrário do que li em alguns comentários no The Die Line, um projeto como este tem que sinalizar SIM que é sustentável, se preocupa com o meio ambiente, quais são os seus méritos e como descartar a embalagem. ainda não somos suficientemente educados a ponto de entender tudo sozinhos.

ao que parece, ponto positivo para a Samsung.

via ventriloquo e TheDieLine

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5 ago 2009 embalagem, sustentabilidade  |   por thabata

Uau, fazia tempo que eu não postava nada… mas quando eu vi essa embalagem, sabia que eu deveria!

A embalagem em questão é a nova “caixa” para os tênis da marca Newton Running, uma empresa que fabrica calçados esportivos baseada em Boulder, Colorado, aqui nos EUA.

Eu achei o projeto dessa nova caixa extremamente inovador! Primeiro, é difícil encontrar um projeto que realmente represente uma mudança na maneira de pensar alguma coisa (no caso, a tradicional centenária caixa). O que acontece é que muitos projetos colocam um twist naquilo que é tradicional, como um material diferente, cantinhos arredondados, ou um jeitinho de iPhone app. Nem sempre isso significa inovação.

Essa nova embalagem, projeto da TDA Advertising & Design é feita em 100% material reciclado pós-consumo, e o formato que se encaixa diretamente no tênis faz com que o uso de papel de seda seja desnecessário. Além de que o armazenamento e transporte não diferem em nada de uma caixa normal, portanto, não existem ônus nesse sentido.

Uma coisa que observei bastante aqui nos EUA é a diferença de atitude entre as pessoas que vivem no lado leste do país e as que vivem no lado oeste. Os habitantes do lado oeste decididamente são mais conscientes e ambientalmente corretos do que os que vivem do lado leste. Eles em grande parte incentivam produtos que fazem diferença ambiental e localmente, provavelmente devido a uma enorme herança hippie (a Miroca vai adorar essa né?). Principalmente no Colorado,  onde um sem-número de pessoas e profissionais se esforçam em criar e consumir produtos mais ambientalmente corretos. Na verdade, acredito que eles estejam criando uma nova moda, a moda eco-correta. Num país consumista como os EUA, ao meu ver é o jeito perfeito de massificar o consumo de produtos eco-friendly ou sustentáveis… Resta descobrir um jeito de fazer com que essa tendência perdure, e que as pessoas passem a consumir esses produtos não só pelo lado fashion, mas porque elas realmente estão mais conscientes.

Via: PSFK

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