Sob os domínios de uma ciência nada exata

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Ilustração de Dosimeter em deviantart
Ilustração por Dosimeter, em deviantART

E então você finalizou aquele trabalho (huahauhauhau, pensei em baralho!).

Uhuuu! Agora é só mandar pro cliente.

Claro que a vida não é tão simples assim, então seu chefe pediu para você fazer uma defesa de conceito. Sabe, né? Pro cliente não implicar ou tentar pedir pra deixar tudo em caixa alta e itálico.

Beleza.
E agora?

Nossa. De onde vieram todas essas coisas que você fez na marca, na papelaria, no catálogo?

Amigo designer: isso já aconteceu com você? Porque ando me assustando com a freqüência em que isso tem me acontecido (sim! freqüência com tremas!! não aceito a exclusão delas!).

Então passei a me perguntar: seriam a arte e o design assim tão distantes? Diferentes?
Hmmmm. Ok. Veremos.

Religiosamente, o design é comunicação. Arte é expressão. Peço desculpas em adianto por qualquer coisas de errado que eu diga aqui sobre arte. Obviamente, não sou especialista, apenas estou tentando matar minha curiosidade através dos meus próprios pensamentos.

Bom, na faculdade aprendemos todas as regras da gestalt, o significado das cores, as metodologias da forma e todas as figuras de linguagem das composições. Tudo isso para que conseguíssemos comunicar aquilo que precisávamos da maneira mais eficiente e sedutora possível. Devo confessar que, no fundo, sempre achei design uma profissão meio sórdida. Já penso? Unidos aos marketeiros poderíamos dominar o mundo e ainda fazê-los gostar disso.

Pra quem trabalha com arte é diferente. Aliás, sempre achei meio triste que o trabalho de um artista estivesse ligado ao dinheiro, ao mercado… Poxa! Como se dá valor à expressão de um artista? Está ligado ao gosto pessoal do comprador? Quer dizer então que tem tudo a ver com ‘o belo’. O que é beleza para a arte? O belo pode ser empregado ao design também? Credo. Quanta coisa confusa!

Quero tentar voltar ao que comecei a falar neste post. Quer dizer, o que se passa na minha cabeça quando faço uma marca perfeita e que não faço a menor idéia de onde ela saiu? Depois, pensando à respeito, sempre encontro belos argumentos para defender meu layout, sempre cheio de significações, tipos equilibrados e adequados para o tema, cores perfeitamente compostas… Para mim? Para todos? Se a teoria que aprendi em um livro é aquilo que estou aplicando então essa composição é verdadeira, certo?
Mas… e o gosto pessoal? Já notou como cada designer, desde o princípio de sua carreira, possui suas preferências em todos os sentidos? Composições, simetrias, cores…

Ok. Então eu devo ter construído uma marca que se adéqua ao briefing, mas está totalmente ligada ao meu gosto pessoal. Minha expressão? Minha arte? Assim, meu colega de trabalho teria feito uma marca completamente diferente, seguindo exatamente os mesmos conceitos que aprendi em um livro. Uma ciência sem nenhuma exatidão, isso sim. Que coisa maluca! A Hermione nunca seria uma designer (sorry! não pude evitar! Esperamos ganhar novos adeptos à esse blog com a menção deste nome. Mas ei! Adoramos Twilght tb! \o/).

Falando em colega de trabalho, conheço um designer que sonha em fazer curso ou facul de artes plásticas. Nossa. Isso me deixa super perdida. Sim pois, arte é expressão apenas. Não existe comunicação… Eu acho… Se você é designer me diga: você se imagina, hoje, fazendo qualquer coisa que não comunicasse nada para ninguém? Nem um tiquinho de mensagem? De sedução? Não consigo mais me livrar disso. Eu nem consigo entender como funciona uma faculdade de Artes Plásticas. Quer dizer, como que um professor dá uma nota à uma peça de arte de um aluno? Ele julga o quanto o aluno se expressou? O que haveria de errado em uma pintura, por exemplo, por ter recebido uma nota 6?

Por favor artista plástico, me responda! Tornei me escrava de minha própria profissão.

Pior. Ela me fez gostar disso.

  • Thabata!!!

    Bom, vc levantou uma questão delicada do equilíbrio arte-design… particularmente, gosto de acreditar que a nossa função é o caminho do meio.
    A arte é comunicação sim, mas como uma comunicação livre, que depende do observador. Ou seja, tanto faz o que o artista tentou dizer, o que torna a arte “arte” é o como ela faz você se sentir. Assim, ela pode ser 1000 coisas e não ser nenhuma.
    O design do jeito que fazemos, tem que ser uma coisa. Tem que passar uma idéia, tem que se fazer entender. Senão ele falha.
    A arte é um costume, o design uma necessidade.
    E para ilustrar o que eu acredito, o que as “Guerrilla Girls” fazem está bem no meio. É arte, mas é uma arte com uma idéia fixa.

    Bom, isso é só minha opinião… também quero aprender algo novo com esse post.